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quinta-feira, 19 de outubro de 2017

UM OLHAR SOBRE A CIDADE: O DINHEIRO NÃO COMPRA TUDO



Segunda-feira, 3.6.1974

Meus queridos amigos

Vamos abrir a semana, meditando um instante sobre dinheiro. Tenho, diante de mim, uma cédula de um cruzeiro, outra de cinco, outra de dez, outra de cinquenta, outra de cem e uma de quinhentos cruzeiros. Por quantas mãos já passaram estas notas de um, de cinco, e de dez cruzeiros! A de um cruzeiro anda muito decadente: até os pobres já custam a conformar-se com um cruzeiro, porque sabem que quase nada se pode fazer com ele...

Atrás de notas de cinquenta e de cem, quanta gente trabalha, se cansa, e luta! Nota de quinhentos, muitos nem sabem que existem.

Muitos nunca puseram nem jamais irão pôr a mão em cédula de quinhentas pratas...

E pensar que há pessoas que, com amigos, visitantes, namoradas, esposa, em uma noite alegre, por exemplo, de boate, gastam o que toda uma família não tem, muitas vezes, para gastar em um mês.

Podem ler o capítulo 2 da carta que o Apóstolo escreveu e está no Novo Testamento, ao lado dos Evangelhos.

Mas vejo, todos os dias, o dinheiro fracassar em dois pontos essenciais: diante da morte e para a conquista do verdadeiro amor.

Adoece o pobre e adoece o rico. O pobre fica no desespero de achar que se tivesse dinheiro, e pudesse trazer médico e remédios, a filha não morreria ou a esposa haveria de salvar-se. O rico tem dinheiro, há juntas de médicos, pilhas de remédios, balões de oxigênio, mas quando chega a hora de partir, o rico vai, como o pobre. Não adianta encher o caixão de dinheiro, nem levar a carteira de cheques no bolso. No encontro com Deus, o único dinheiro que vale é o bem praticado aqui na terra...

Quanto ao verdadeiro amor, quantas vezes tenho ouvido esposas ricas dizerem: “Para que tanto conforto e tanto luxo, se eu não tenho o principal: a compreensão e o amor de meu marido, e a paz com os meus filhos?”.

Não vamos também pensar que o dinheiro é maldito e é criação do diabo. Quando o dinheiro não faz a pessoa perder a cabeça, quando não entontece, quando não embriaga, quando não transforma o dono em escravo, quando o dinheiro é bem usado, pode prestar serviços maravilhosos.

Quantas vezes, segurando uma nota de cem cruzeiros, um rico pensa em quanta gente sua, se cansa, se mata, para levar para a casa o salário mínimo?
A que conclusões chegar?

Andam com dinheiro folgado? Atenção para não perderem a cabeça!

Se distraírem-se, o dinheiro passa de servo a senhor... Cristo diz, com razão como sempre, que o nosso coração está onde está nosso tesouro...

Andam sem dinheiro? Tem passado pelo esmagamento de ver a fome entrar de casa adentro? Não desanime, não se amargure, não se irrite. Há muita gente que sem ódio nem violência, sem sombra de terrorismo, está trabalhando no mundo inteiro as claras, lealmente, por um mundo mais justo e mais humano.


Há quem ria desses sonhadores: eu os levo a sério. Não há país dentro do qual não surjam grupos decididos a quaisquer sacrifícios para que se tenha um mundo mais respirável e para todos. Claro que Deus está ajudando e ajudará.

* O Livro Meus Queridos Amigos reúne 200 crônicas lidas por Dom Helder em seu programa de rádio UM OLHAR SOBRE A CIDADE. Encontra-se à venda na livraria do IDHeC, assim como o CD contendo vinte crônicas lidas na voz de Dom Helder.Clique aqui e saiba mais: LIVRARIA

terça-feira, 17 de outubro de 2017

UM OLHAR SOBRE A CIDADE: CORAÇÕES QUE VOAM



Já ouviram na missa o apelo sugestivo: “Corações ao alto”? Palavra agradável de ouvir. Mas já experimentaram ajudar corações a elevarem-se?

Há corações cheios de travo, de revolta, de ódio. Ora, tudo isto pesa terrivelmente... Como pesa a inveja. Como pesam o orgulho e a soberba e a vaidade... Pesa, também, horrivelmente, o coração que perdeu a razão de bater. Dependesse dele, e já teria parado.

Nem sempre é peso o problema para obter que os corações se elevem. O coração avaro se afoga de tal modo nos cuidados com o dinheiro, com lucros sempre maiores a obter, com economias a realizar, que um terrível emaranhado o prende a ponto de lhe ser impossível arrancar-se para o alto.

Há corações que sobem a dois, ajudando-se, estimulando-se mutuamente...

Há corações tão vazios, tão sem amor, que flutuam como penas ao vento: não chegam a subir, porque qualquer sopro o arrasta para longe...

Já viram uma esponja que, de tanto apagar quadro-negro, cheio de giz, fica impressionantemente seca?... há corações assim... Há corações que viraram uma pedra de gelo. Outros, simplesmente uma pedra. Outros se tornaram metálicos, de tanto lidar com dinheiro...

Nossos corações se elevam facilmente? E os corações em volta de nós? Importante é saber como dar asas aos corações, ajudando-os a elevar-se, com mais facilidade e rapidez.

A oração, a prece, vinda de dentro d’alma, alivia o coração, por mais angustiado e pesado que ele esteja. Desfazer-se de qualquer sombra de ódio torna o coração alado como um pássaro...

Gestos de autêntico amor ao próximo, feitos como o Evangelho ensina — sem que ninguém saiba, nem a mão esquerda o que fez a direita — torna o coração um pássaro de asas velozes e firmes.

Corações ao alto! Cada vez que dissermos ou escutarmos estas palavras lembremo-nos dos que andam de corações na fossa, sem ânimo, sem esperança, sem razão de viver.


Corações ao alto! Que esta expressão seja, em nossos lábios, uma prece para que todos os corações de todas as criaturas humanas se ergam, se elevem para Deus, nosso Criador e Pai!

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

MARIAMA APARECIDA! ROGAI POR NÓS





Nesse 12 de outubro dia da padroeira do Brasil, a nossa mãe morena, rogamos à Nossa Senhora Aparecida que proteja a todos nós e, sobretudo, pedimos um bênção especial para as nossas crianças,  de todas as raças, de todas as cores, de todas as classes sociais, de todas as religiões, de todas as regiões desse imenso país.

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E que melhor maneira de homenagear á Nossa Mãe do que através da voz de nosso profeta, em sua louvação á Maria, na Missa dos Quilombos?


terça-feira, 10 de outubro de 2017

ARQUIDIOCESE PROMOVE FÓRUM DE JUSTIÇA E PAZ – INSCRIÇÕES ABERTAS



A Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Olinda e Recife, recriada este ano pelo arcebispo dom Fernando Saburido, promove o Fórum Justiça e Paz, nos dias 27 e 28/10, na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap).

O encontro foi pensado para debater e buscar sugestões para a garantia dos direitos na circunscrição da Arquidiocese. A programação inclui palestras, mesas redondas e grupos temáticos. Dentre os palestrantes do Fórum Justiça e Paz, estão dom Leonardo Steiner, secretário geral da CNBB, Marcelo Lavenere, membro da Comissão Brasileira de Justiça e Paz e ex-presidente da OAB. As inscrições para o evento iniciam em 05/10 e podem ser realizadas gratuitamente pela internet, através do site do Instituto Humanitas da Unicap: www.unicap.br/ihu/?/p=9701

De acordo com o padre Fábio Santos, que integra a Comissão de Justiça e Paz e preside a Comissão Arquidiocesana de Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso, as conclusões advindas com o Fórum vão pautar as ações e o planejamento da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Olinda e Recife. Fórum Justiça e Paz. Originariamente criada por dom Helder Camara, a Comissão de Justiça e Paz foi extinta em 1985. A refundação, como está sendo chamada a retomada dos trabalhos, aconteceu em maio deste ano e representa a concretização de um sonho de dom Fernando Saburido. A Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese renasce para promover os direitos humanos (direitos sociais, civis e políticos, assim como os direitos econômicos, culturais e ambientais), à luz da doutrina social da Igreja.

Programação

DIA 27 – Das 19h às 21h30

Acolhida musical (a partir das 18h30)
Mesa redonda: Fé e cidadania construindo justiça e paz
Composição da mesa:
Presidência: Dom Fernando Saburido (Arcebispo de Olinda e Recife)
Padre Pedro Rubem (Reitor da Unicap)
Antônio Carlos Maranhão de Aguiar (Coordenador da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Olinda e Recife)
Palestra: Fé e política: uma Igreja em saída
Palestrante: Dom Leonardo Steiner, Secretário Geral da CNBB

Palestra: Justiça a serviço da cidadania
Palestrante: Marcelo Lavenere (membro da CBJP e ex-presidente da OAB)
Haverá espaço para perguntas, por escrito, durante as palestras. As perguntas serão recolhidas por membros da CJP e encaminhadas aos palestrantes.

DIA 28 – Das 8h30 às 17h

Rodas de Conversa: salas dos Direitos Humanos (Civis, Sociais, Políticos, Econômicos, Culturais e Ambientais)
Serão organizadas seis salas/Grupos Temáticos, para cada um desses direitos, e em cada uma, serão discutidas questões que afetam o pleno exercício dos direitos e ações para superação das mesmas.
08h30 – Esclarecimento sobre o funcionamento das Salas/Grupos Temáticos (GT).
09h – Em cada sala/GT:
Provocação inicial;
Formação das rodas com no máximo 10 pessoas. A sala poderá ter mais de uma roda, dependendo do número de pessoas que queiram discutir as questões que afetam o exercício daquele direito.
Início das discussões, escolha do relator de cada roda;
Conclusão: escolha das 3 propostas de cada roda para enfrentamento dos problemas discutidos.
12h – Almoço livre
13h30 – Acolhimento  cultural
14h – Retorno para as salas/GTs:
Plenária das rodas de cada sala para definição das três prioridades para cada um dos direitos debatidos (síntese das propostas de cada roda da sala) e escolha do relator para apresentação na Plenária Final.
15h – Plenária Final: Apresentação das três prioridades de cada sala/GT.
16h30 – Celebração inter-religiosa.
17h- Encerramento

 Inscrições – São gratuitas e podem ser feitas a partir do 05/10, através do site: www.unicap.br/ihu/?/p=9701


 Matéria postada noportal da Arquidiocese de Olinda e Recife: http://www.arquidioceseolindarecife.org/2017/10/arquidiocese-promove-forum-de-justica-e-paz-inscricoes-abertas/